Salar de Uyuni: o deserto de sal que vira o maior espelho do mundo
Mais de 10.000 km² de sal a 3.600 metros de altitude, tão plano que serve para calibrar satélites. Por que na época de chuvas ele reflete o céu e o que esconde sob a crosta.
Há fotos que parecem montagem: pessoas andando sobre as nuvens, um carro flutuando no meio do céu, um horizonte que desaparece. Não é Photoshop. É o Salar de Uyuni, na Bolívia, durante a época de chuvas. Esse deserto branco é uma das paisagens mais estranhas e fotogênicas do planeta.
O maior salar do mundo
O Salar de Uyuni fica no sudoeste da Bolívia, no altiplano andino, a cerca de 3.650 metros acima do nível do mar. Com uma área de mais de 10.000 quilômetros quadrados, é o maior salar do mundo. Para ter uma ideia, é maior do que muitos países pequenos, e do centro dele só se vê uma planície branca até o horizonte.
Sua origem remonta a milhares de anos. Antes, a região era coberta por grandes lagos pré-históricos. Quando o clima mudou e a água foi evaporando, ficaram para trás enormes depósitos de sal e minerais. Hoje, a crosta de sal tem vários metros de espessura em algumas áreas, e estima-se que o salar contenha bilhões de toneladas de sal.
O espelho do céu
Durante a maior parte do ano, o salar é uma superfície seca, dura e branca, coberta por um curioso desenho de células, muitas delas hexagonais, que se formam quando o sal se cristaliza e racha. Mas na época de chuvas, mais ou menos de dezembro a março ou abril, acontece a mágica.
Uma fina camada de água, às vezes de só alguns centímetros, cobre partes do salar. Como a superfície é extraordinariamente plana e o vento costuma ser fraco, a água fica quase parada e reflete o céu como um espelho gigante. O horizonte some, e fica difícil saber onde termina a terra e onde começa o céu.
Tão plano que serve aos satélites
Uma das curiosidades mais surpreendentes do salar é como ele é plano: em toda a sua enorme área, a diferença de altura é de apenas cerca de um metro. Por isso, junto com o tamanho, a superfície brilhante e o céu limpo na maior parte do ano, ele tem sido usado para calibrar os altímetros de satélites que medem do espaço a altura do terreno e do gelo.
O tesouro sob o sal: o lítio
Sob a crosta de sal há uma salmoura, água muito salgada, rica em minerais. Entre eles se destaca o lítio, um metal essencial para fabricar baterias de celulares e carros elétricos. O Salar de Uyuni é considerado um dos maiores depósitos de lítio do mundo. A Bolívia lançou projetos para extraí-lo, embora a exploração em grande escala avance devagar e gere debate pelo possível impacto na água e nas comunidades da região.
O que ver no salar e arredores
- Ilha Incahuasi: uma «ilha» rochosa no meio do mar de sal, coberta de cactos gigantes, alguns com vários metros de altura. Do alto se tem uma vista impressionante do salar.
- Cemitério de trens: nos arredores da cidade de Uyuni há dezenas de locomotivas e vagões enferrujados do início do século XX, restos da época em que a ferrovia levava minérios até os portos do Pacífico.
- Colchani: um pequeno povoado à beira do salar onde famílias extraem e processam o sal de forma artesanal.
- Hotéis de sal: na região há hospedagens construídas com blocos de sal, das paredes a algumas mesas e camas.
- Lagoas do altiplano: ao sul, na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, há lagoas coloridas, como a Laguna Colorada, onde vivem colônias de flamingos, além de gêiseres e paisagens vulcânicas.
As famosas fotos de perspectiva
A planície branca, sem referências de distância, permite brincadeiras visuais muito populares: uma pessoa que parece sair de uma garrafa, um grupo de amigos «pisoteado» por um dinossauro de brinquedo ou alguém segurando outra pessoa na palma da mão. Quase todos os passeios reservam um tempo para essas fotos.
Dicas para quem pensa em ir
- A altitude: a mais de 3.600 metros, o mal da altitude é comum. Vale se aclimatar por alguns dias, beber água, comer leve e ir com calma.
- O sol: a radiação é muito intensa por causa da altitude e do reflexo do sal. Óculos de sol, protetor solar e chapéu são indispensáveis.
- O frio: de dia pode fazer calor, mas à noite a temperatura cai muito, às vezes abaixo de zero.
- Escolha bem a época: para o efeito espelho, a época de chuvas; para percorrer o salar seco e chegar à ilha Incahuasi com mais facilidade, a estação seca.
- Agência responsável: os passeios são feitos em 4×4; escolha operadores com boas referências e veículos em bom estado.
Um lugar que parece de outro planeta
O Salar de Uyuni é um lembrete de que a Terra ainda guarda lugares capazes de enganar nossos olhos. Um antigo lago transformado em deserto, um deserto que vira espelho e um espelho que, por algumas horas, nos deixa caminhar sobre o céu.
Abel Maestro Garcia / Wikimedia Commons (Public domain) · source
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta com um profissional de saúde. Aviso médico





